O TRT da 2ª Região nominou, nessa segunda-feira (4/5), o auditório do Salão Nobre do Ed. Sede (Rua da Consolação, 1272, 20º andar – São Paulo/SP), que passou a se chamar Desembargadora Neusenice de Azevedo Barretto Küstner, em homenagem à primeira mulher a exercer a magistratura do trabalho no Brasil. O evento também prestou uma homenagem especial à memória do desembargador Luiz Antônio Moreira Vidigal, falecido recentemente, destacando sua contribuição histórica para o Regional. Confira o álbum de fotos.

Idealizada pela Seção de Gestão de Memória, na ocasião, também foi inaugurada exposição com documentos, fotos e informações da desembargadora Neusenice e um painel com a linha do tempo biográfica, ilustrando a trajetória da homenageada (este de contribuição da família). A partir desta terça-feira (5/5), o acervo poderá ser visitado no espaço expositivo do Centro de Memória, localizado no térreo do Ed. Sede. Há ainda uma mostra virtual intitulada “Retratos de Uma Pioneira”, com todas as informações sobre a juíza trabalhista, que pode ser acessada no sítio do Portal da Memória do TRT-2.
A solenidade contou com a presença de magistrados(as), servidores(as), autoridades, familiares e amigos(as) da homenageada. Fizeram parte da mesa de abertura o presidente do TRT-2, desembargador Valdir Florindo; a ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Delaíde Alves Miranda Arantes; o coordenador do Comitê de Gestão Documental e Memória do TRT-2, desembargador Armando Augusto Pinheiro Pires; a procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho da 2ª Região (MPT), Vera Lúcia Carlos; Otávio Pinto e Silva, representando a Presidência da Organização dos Advogados do Brasil (OAB-SP); e a sobrinha da homenageada, Silvia de Azevedo Barreto Fix.

História
Na abertura do evento, o presidente destacou que a nominação do auditório é um compromisso com o resgate histórico da instituição, pontuando que o TRT-2 sabe honrar quem pavimentou o caminho da justiça social. Ao encerrar a cerimônia, reforçou que o exemplo de Neusenice deve guiar as futuras gerações. “O nome da desembargadora Neusenice neste Salão Nobre é um lembrete diário de que a competência não tem gênero e de que a Justiça do Trabalho é feita de trajetórias corajosas”, afirmou.
O desembargador Armando Augusto Pinheiro Pires relembrou o currículo vasto da homenageada, mencionando que ela foi um “brilhante exemplo” em uma época de pouca presença feminina no Direito, além de ressaltar o esforço do Comitê em preservar objetos pessoais da magistrada para a exposição. “Hoje não celebramos apenas um nome em uma placa, mas um legado de resiliência e dedicação que ajudou a desenhar o retrato do que o TRT-2 é hoje”.
Em um relato emocionado, Silvia de Azevedo Barreto Fix detalhou a trajetória da tia, com histórias íntimas e profissionais da homenageada. Também descreveu sua personalidade: uma mulher discreta e leitora voraz, que encontrava nos livros e na história familiar os fundamentos para sua prática na magistratura. “Quem não conhece a sua história, não conhece um pedaço de si; minha tia navegou em um mar de livros para construir uma vida de integridade e justiça.”
Ao final, o dirigente do TRT-2 e Silvia de Azevedo Barreto Fix descerraram a placa com o nome da juíza trabalhista. Ao mesmo tempo, foi também inaugurado o quadro com a história da homenageada, que faz parte do projeto “Pontos de memória”.

Homenagem
Ao iniciar a cerimônia, o desembargador Valdir Florindo fez uma pausa solene para homenagear o desembargador Luiz Antônio Moreira Vidigal, presidente no biênio 2020-2022, falecido recentemente. O atual presidente ressaltou que seria injusto iniciar o primeiro Pleno após o falecimento sem registrar o respeito pela trajetória de cinco décadas dedicadas ao TRT-2. Destacou que a ascensão de Vidigal, que ingressou como servidor em 1974 e chegou à presidência da Corte, foi fruto de um preparo sólido, domínio técnico e um compromisso inabalável com o serviço público.
Ao recordar a convivência próxima, especialmente durante os desafios da pandemia da Covid-19, o presidente enfatizou a personalidade firme e a dedicação do magistrado, afirmando que ele deixou o Tribunal melhor do que encontrou e que sua marca permanecerá para sempre na história da instituição.
