SJPR marcou Dia da Mulher em evento com memória, literatura e justiça (09/03/2026)

A Justiça Federal do Paraná (JFPR) comemorou o Dia Internacional da Mulher nesta segunda-feira (9) com o evento “Mulheres em Palavra”. Cerca de 200 servidoras e servidores de todo Paraná participaram presencialmente e de modo remoto. Pensado para celebrar a trajetória e a presença da mulher na sociedade, na literatura e no mundo do trabalho, o encontro foi aberto pelo diretor do Foro de Curitiba, juiz federal José Antonio Savaris, que salientou: “Ninguém caminha sozinho, e o protagonismo feminino no nosso cotidiano é a base que nos permite cumprir nossa missão institucional com excelência”. 

A fala inicial foi feita pela juíza federal auxiliar da Corregedoria da JF da 4ª Região Tani Wurster e pela juíza federal Ouvidora da Mulher na SJPR Ivanise Corrêa Rodrigues Perotoni.

Novela processual revela histórico do preconceito
A programação seguiu com a estreia da Novela Processual “Loira, a Lírica”, novo projeto do Núcleo de Memória Institucional da JFPR. O filme aborda a história real da atriz Loira Lombazzi que, na década de 1920, procurou a Justiça ao sofrer perseguição em sua atuação nos palcos, acusada de ser meretriz e que terminou praticamente expulsa de Curitiba.
A diretora do Núcleo, Dulcineia Tridapalli, destacou o trabalho em equipe necessário para realizar este primeiro episódio das “Novelas Processuais”, filmes que resgatam histórias verídicas documentadas pela Justiça Federal no Paraná. “Sem conhecer nossas origens, a gente não vai a lugar nenhum”, afirmou.
A convidada do evento, a escritora curitibana Giovana Madalosso subiu ao palco emocionada com a ficcionalização da cantora Loira Lombazzi e considerou-se representada pela personagem verídica do filme. 
Apesar de escrever desde os oito anos de idade, Giovana trabalhou como jornalista e redatora publicitária por muitos anos até abraçar de vez a ficção. “Perto do nascimento da minha filha eu decidi tirar um ano sabático e me dedicar à literatura — e nunca mais voltei”, contou. “Quando publiquei meu primeiro livro eu me senti inteira.”
Após a publicação de vários livros e indicações a prêmios, Giovana entrou para a Academia Paranaense de Letras em julho de 2025 e é colunista da Folha de São Paulo. Seu livro “Suíte Tóquio”, de 2020 (Editora Todavia), entrou para a lista dos 100 melhores de 2025 do New York Times, após ser traduzido para o inglês e outros idiomas. 
A partir de relatos pessoais e perguntas da plateia, a autora abordou o exercício da escrita e sua atuação no movimento feminista. Ao lado de outras escritoras, ela organizou o evento “Um grande dia para as escritoras”, em 2022, em que mais de 400 mulheres tiraram fotos no estádio do Pacaembu, em São Paulo, mostrando seus próprios livros. 
O evento terminou com um coquetel e sessão de autógrafos, além do sorteio de livros doados pela escritora.

Público recebeu de forma calorosa a escritora Giovana Madalosso.
Público recebeu de forma calorosa a escritora Giovana Madalosso. (Comsoc JFPR)

Juiz federal José Antonio Savaris e Nice Wendling, diretora do Cejure.
Juiz federal José Antonio Savaris e Nice Wendling, diretora do Cejure. (Comsoc JFPR)

Escritora Giovana Madalosso compartilhou sua trajetória como autora e feminista.
Escritora Giovana Madalosso compartilhou sua trajetória como autora e feminista. (Comsoc JFPR)

Bate-papo contou com perguntas feitas pelo público presencial e remoto.
Bate-papo contou com perguntas feitas pelo público presencial e remoto. ()