16ª Reunião do Fórum Ambiental discute Compostagem e Economia Circular na Região Sul (12/06/2026)

A 16ª Reunião do Fórum Regional Interinstitucional Ambiental do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) foi realizada nesta sexta-feira (12/6), sob a presidência do desembargador federal Altair Antônio Gregório, coordenador do Sistema de Conciliação (Sistcon). A coordenação do debate foi realizada pela juíza federal Clarides Rahmeier. Esta edição do Fórum Ambiental além de debater o tema da compostagem e economia circular, marcou o encerramento da II Semana da Pauta Verde.

O desembargador federal Altair Antônio Gregório definiu o encontro como um espaço voltado ao “diálogo qualificado, à cooperação institucional e à construção conjunta de soluções para os desafios ambientais da nossa Região”. O magistrado ressaltou que o tema central da reunião é “extremamente atual e relevante”, representando tanto um desafio político quanto uma “importante oportunidade para a promoção da economia circular, da redução das emissões de gases de efeito estufa e da valorização dos resíduos”.

Ao encerrar a II Semana da Pauta Verde no TRF4, iniciativa promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para impulsionar a pauta ambiental no Judiciário brasileiro, a desembargadora federal Vânia Hack de Almeida, presidente do Grupo do Meio Ambiente da Justiça Federal da 4ª Região, destacou que o evento foi uma “construção a muitas mãos” voltada à proteção ambiental, ressaltando a “consciência da nossa responsabilidade, do trabalho que nós temos que fazer e da importância deste trabalho, principalmente para as gerações futuras”.

Na exposição inicial, o engenheiro ambiental Brandon Telles, da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Governo do Paraná (SEDEST/PR), detalhou a estrutura de gestão de resíduos e o papel do Fórum Paranaense de Economia Circular (FOPEC) na construção colaborativa de políticas públicas. Ele apresentou o programa “Recicla Paraná”, que atua em seis fases para transformar o estado em referência em gestão de resíduos, já tendo capacitado 2.500 pessoas e impactado 500 negócios. Telles também enfatizou a importância da plataforma digital “Contabilizando Resíduos”, instituída por lei para o planejamento da logística reversa, e o desafio da regionalização para que os municípios implementem novas formas de tratamento de orgânicos.

Em seguida, o engenheiro Walter Souza, da Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Rio Grande do Sul (SEMA/RS), abordou a temática sob a ótica dos compromissos climáticos, como o “Race to Zero”, que visa zerar emissões líquidas até 2050. Ele apresentou um levantamento mostrando que, enquanto as plantas públicas de compostagem têm capacidade de 19 mil toneladas/ano, o setor industrial no estado já opera com 1,5 milhão de toneladas, sugerindo uma necessária sinergia entre os setores. Souza destacou ainda o projeto de valorização de resíduos na CEASA/RS, focado em ampliar o banco de alimentos e implementar tecnologias que desviem o descarte orgânico dos aterros sanitários de forma economicamente viável.

O engenheiro sanitarista Israel Aquino compartilhou a experiência de Santa Catarina, do Instituto do Meio Ambiente (IMA/SC), estado que erradicou os lixões em 2012 através de ações interinstitucionais. Ele detalhou o programa “Penso, Logo Destino”, que trabalha na interiorização da logística reversa e agora foca na valorização de orgânicos através do projeto CEASA Circular, que prevê a utilização de mão de obra de apenados para gerar composto orgânico que retorna aos agricultores familiares. Aquino reforçou a necessidade de os municípios separarem o lixo em três frações (secos, orgânicos e rejeitos) e sugeriu que o Judiciário oriente o uso de fundos ambientais para financiar projetos com resultados mensuráveis.

O debate técnico contou com a contribuição de Artur Ferrari, CEO da Igapó, que apresentou dados sobre a urgência do tratamento de resíduos: o Brasil gera anualmente 800 milhões de toneladas de orgânicos, mas recicla apenas 2% desse volume. Ferrari alertou que a cadeia de descarte ineficiente é a 4ª maior emissora de gases de efeito estufa e apresentou tecnologias de compostagem mecanizada e acelerada, incluindo o modelo de composteira selecionado para tratar resíduos durante a COP 30.

No encerramento do encontro, o Fórum emitiu uma recomendação formal aos órgãos públicos da 4ª Região para que viabilizem o tratamento local de resíduos sólidos orgânicos em suas dependências, priorizando sistemas de compostagem interna para mitigar custos logísticos e impactos ambientais.

Os participantes reforçaram que o diálogo interinstitucional é fundamental para a sustentabilidade, e a próxima reunião do grupo ficou agendada para o dia 18 de setembro deste ano.

Texto e imagens: Sistcon/TRF4

A juíza federal Clarides Rahmeier, que coordenou o debate do Fórum, e o desembargador federal Altair Antônio Gregório, coordenador do Sistcon do TRF4
A juíza federal Clarides Rahmeier, que coordenou o debate do Fórum, e o desembargador federal Altair Antônio Gregório, coordenador do Sistcon do TRF4 (Imagem: Sistcon/TRF4)

O engenheiro ambiental Brandon Telles, da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Governo do Paraná, participou da reunião
O engenheiro ambiental Brandon Telles, da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Governo do Paraná, participou da reunião (Imagem: Sistcon/TRF4)

Engenheiro Walter Souza, da Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Rio Grande do Sul
Engenheiro Walter Souza, da Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Rio Grande do Sul (Imagem: Sistcon/TRF4)

A desembargadora federal Vânia Hack de Almeida falou sobre a importância da II Semana da Pauta Verde do Poder Judiciário
A desembargadora federal Vânia Hack de Almeida falou sobre a importância da II Semana da Pauta Verde do Poder Judiciário (Imagem: Sistcon/TRF4)

O engenheiro sanitarista Israel Aquino compartilhou a experiência de iniciativas do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina
O engenheiro sanitarista Israel Aquino compartilhou a experiência de iniciativas do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (Imagem: Sistcon/TRF4)

Artur Ferrari, CEO da empresa Igapó, apresentou dados sobre a urgência do tratamento de resíduos no Brasil
Artur Ferrari, CEO da empresa Igapó, apresentou dados sobre a urgência do tratamento de resíduos no Brasil (Imagem: Sistcon/TRF4)