TRF4 promove evento com reflexões sobre feminicídio e violência contra a mulher (05/03/2026)

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) promoveu na tarde desta quinta-feira (5/3) um evento em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado mundialmente em 8 de março. A atividade abordou a temática do enfrentamento à violência contra a mulher e o feminicídio. O evento foi realizado pela Escola de Magistrados e Servidores do TRF4 (Emagis) e marcou a abertura do ano letivo de 2026.

A palestra aconteceu no Auditório da Emagis, no Prédio Anexo do tribunal, em Porto Alegre, e contou com um público formado por magistradas(os) federais, servidoras(es) e terceirizadas(os) da Justiça Federal da 4ª Região. O evento também foi acompanhado por cerca de 180 pessoas de forma online, transmitido pela plataforma Zoom para toda a 4ª Região.

A realização da mesa redonda está alinhada à Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Nº 668, de 3 de fevereiro de 2026, que indica aos órgãos do Poder Judiciário a adoção do protocolo integrado de prevenção e medidas de segurança voltado ao enfrentamento à violência doméstica praticada em face de magistradas, servidoras e demais colaboradoras do Judiciário.

O evento contou com a coordenação científica da ouvidora-geral e ouvidora da Mulher do tribunal, desembargadora federal Ana Cristina Ferro Blasi, e com a participação da delegada da Polícia Civil do RS Waleska Alvarenga; da psicóloga Karen Netto; e da atriz Fernanda Carvalho Leite. As participantes abordaram a temática da violência contra a mulher a partir da análise do filme “Ainda Temos o Amanhã”, produção cinematográfica que retrata questões como machismo, violência e opressão contra mulheres na sociedade italiana nos anos 1940.

Abertura

A mesa de abertura do evento foi composta pela desembargadora Ana Blasi; pela vice-presidente do TRF4, desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha, que estava representando a Presidência da corte no evento; pelo diretor da Emagis, desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Júnior; e pelo ouvidor substituto do tribunal, desembargador federal Alexandre Gonçalves Lippel.

“É muito importante que o TRF4 incentive o debate e a reflexão sobre as questões do feminicídio e das violências praticadas contras as mulheres, pois faz parte da obrigação do Judiciário combater essas práticas, não só com a aplicação do Direito e das leis, mas também participando da rede de proteção formada pelos órgãos e instituições públicas que estão comprometidos com as iniciativas de proteção às mulheres”, disse o desembargador Cândido Leal na abertura.

Já a desembargadora Vivian Caminha destacou que “o evento de hoje não é somente uma atividade protocolar do currículo da Emagis, mas é um evento que marca e prestigia a figura da mulher e serve para nos mostrar que não podemos fechar os olhos para a realidade da violência doméstica; fazemos aqui uma pausa na nossa rotina intensa de trabalho para realizarmos essa reflexão tão necessária”.

Em sua fala, a desembargadora Ana Blasi ressaltou: “nós, enquanto tribunal, enquanto autoridades da Justiça e enquanto cidadãos, precisamos discutir sobre esse tema e ouvir as profissionais que estão trabalhando no combate à violência contra a mulher todos os dias e, a partir dessa reflexão, tomarmos atitudes, nós não podemos mais nos calar diante dessa escalada de violência”.

Ana Blasi ilustrou a urgência do debate fazendo alusão ao dado de que, somente no início deste ano de 2026, cerca de 20 mulheres já foram vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul, pois, em média, a cada três dias ocorre um caso de feminicídio no estado.

Mesa Redonda

Durante a mesa redonda, a delegada Waleska Alvarenga, que é diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher da Polícia Civil do RS, fez a relação entre as cenas de violência contra a mulher exibidas no filme “Ainda Temos o Amanhã” com os casos que ela e as equipes das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher lidam no dia a dia.

“Hoje o meu principal desafio na atividade profissional, é fazer com que a mulher, que assim como a personagem do filme, sofre a violência doméstica por muitos anos, nos procure, que ela acesse, de alguma forma a rede de proteção”, avaliou a delegada.

Waleska Alvarenga ainda apresentou estatísticas do Mapa do Feminicídio 2025 da Polícia Civil do RS, apontando para o registro de 80 casos de feminicídio consumados durante o ano de 2025 no estado, o que representou um aumento de cerca de 9% em relação ao ano de 2024, quando 73 casos foram registrados no RS.

A psicóloga forense e criminal Karen Netto falou sobre a sua experiência atuando como perita judicial em casos envolvendo mulheres que haviam sofrido violência. Ela é especialista em Psicologia Jurídica pelo Conselho Federal de Psicologia e profissional capacitada em Avaliação de Risco de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher pelo Tribunal de Justiça do RS e Escola Superior do Ministério Público da União.

“Antes de se chegar a um feminicídio, ocorrem situações de violência psicológica contra a mulher. Na maioria dos casos, os feminicídios foram precedidos por cenas de ciúmes, controle e perseguição por parte de companheiros ou ex-companheiros”, ressaltou a psicóloga ao explicar que o feminicídio tem a violência psicologia como um fator fundamental para sua ocorrência.

Karen Netto também atua como consultora técnica do Projeto “Café & Prosa”, uma iniciativa da Ouvidoria da Mulher do TRF4 que já promoveu encontros e rodas de conversa com magistradas, servidoras, estagiárias e colaboradoras de diversas Subseções Judiciárias da 4ª Região debatendo aspectos da violência contra a mulher.

Já a atriz Fernanda Carvalho Leite trouxe a perspectiva da abordagem das questões femininas pela arte, em obras como o filme “Ainda Temos o Amanhã”, pontuando a necessidade de empoderar as mulheres para causar transformação social e elevação da sociedade.

Fernanda é atriz premiada na categoria melhor intérprete em dança e teatro, produtora cultural e mestre em Artes Cênicas. Ela apresenta, desde 2021, o espetáculo “Velha D+”, um monólogo com temática feminista e anti-idadista, que une teatro, música e dança para tratar de questões sobre o envelhecimento da mulher.

“Através da arte, eu encontrei na minha sensibilidade, algo que diziam ser uma suposta fragilidade, a minha fortaleza pela minha capacidade de empatizar com mulheres da história, fictícias ou reais, para trazer essas mulheres à cena e poder tocar os sentimentos das pessoas; acredito que um filme, uma obra de arte, traz a capacidade de transformação da realidade e de transformação social”, ela pontuou.

Ao final da palestra, a desembargadora Ana Blasi leu para o público um texto de sua autoria. A magistrada escreveu o texto abordando as reflexões que foram provocadas após assistir ao filme “Ainda Temos o Amanhã” e pelo trabalho a frente da Ouvidoria da Mulher do TRF4.

“Hoje aqui no tribunal, homenageando o Dia Internacional da Mulher, ao refletirmos sobre igualdade, violência e escuta, estamos, na verdade falando de autoria e de protagonismo. Não basta que as mulheres tenham voz, é preciso que sejamos ouvidas com consequência, não basta que as mulheres estejam presentes, é preciso que possamos decidir”, concluiu Ana Blasi.

ACS/TRF4 (acs@trf4.jus.br)

O evento foi realizado no Auditório da Emagis, no Prédio Anexo do TRF4, em Porto Alegre
O evento foi realizado no Auditório da Emagis, no Prédio Anexo do TRF4, em Porto Alegre (Foto: Diego Beck/TRF4)

O evento teve a coordenação científica da ouvidora-geral e ouvidora da Mulher do tribunal, desembargadora federal Ana Cristina Ferro Blasi
O evento teve a coordenação científica da ouvidora-geral e ouvidora da Mulher do tribunal, desembargadora federal Ana Cristina Ferro Blasi (Foto: Diego Beck/TRF4)

O diretor da Escola de Magistrados e Servidores do TRF4 (Emagis), desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Júnior, fez a abertura da atividade
O diretor da Escola de Magistrados e Servidores do TRF4 (Emagis), desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Júnior, fez a abertura da atividade (Foto: Diego Beck/TRF4)

A vice-presidente do tribunal, desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha, representando a Presidência do TRF4, também participou do evento
A vice-presidente do tribunal, desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha, representando a Presidência do TRF4, também participou do evento (Foto: Diego Beck/TRF4)

A delegada da Polícia Civil do RS Waleska Alvarenga trouxe dados sobre os casos de feminicídio no estado
A delegada da Polícia Civil do RS Waleska Alvarenga trouxe dados sobre os casos de feminicídio no estado (Foto: Diego Beck/TRF4)

A psicóloga forense e criminal Karen Netto foi uma das participantes da mesa redonda
A psicóloga forense e criminal Karen Netto foi uma das participantes da mesa redonda (Foto: Diego Beck/TRF4)

A atriz Fernanda Carvalho Leite falou sobre a perspectiva de abordar questões ligadas às mulheres pela arte
A atriz Fernanda Carvalho Leite falou sobre a perspectiva de abordar questões ligadas às mulheres pela arte (Foto: Diego Beck/TRF4)

O evento teve um público público formado por magistradas(os) federais, servidoras(es) e terceirizadas(os) da Justiça Federal da 4ª Região
O evento teve um público público formado por magistradas(os) federais, servidoras(es) e terceirizadas(os) da Justiça Federal da 4ª Região (Foto: Diego Beck/TRF4)

O evento no TRF4 foi realizado em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março
O evento no TRF4 foi realizado em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março (Foto: Diego Beck/TRF4)