O TRT da 2ª Região realizou, nessa quarta-feira (25/3), o seminário “Mulheres Plurais em Perspectiva: Dignidade, Diversidade e Proteção em Contextos de Vulnerabilidade”. A iniciativa, alusiva ao mês da mulher, reuniu magistrados(as), servidores(as) e especialistas para discutir desafios enfrentados por mulheres sob diferentes recortes, como raça, idade e deficiência. Confira álbum de fotos.
Nas exposições temáticas, a professora associada da Universidade Federal de São Paulo Fabiana Schleumer abordou a invisibilização histórica da população negra, destacando a atuação de mecanismos de exclusão desde o período colonial e formas de atuação para interromper essa lógica. Na área de saúde, a assistente social e doutora em saúde pública Marisa Accioly, da Universidade de São Paulo (USP), tratou da saúde mental da mulher idosa, com ênfase nos impactos do etarismo e nos pilares para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável.
Representando o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/ONU), Ismália Afonso da Silva apresentou dados a respeito da sobrecarga do trabalho de cuidado, evidenciando a persistência de normas sociais que reforçam desigualdades de gênero. Encerrando o ciclo, a servidora do TRT-2 Thaís Martinez tratou, partindo da própria trajetória como deficiente visual, dos desafios enfrentados por mulheres com deficiência no mercado de trabalho, com destaque para a baixa incidência de promoções e a invisibilidade profissional.
Antes do ciclo de palestras, o evento foi aberto pela diretora da Ejud-2, desembargadora Bianca Bastos, que destacou a importância da abordagem interseccional e do compromisso institucional com a promoção da dignidade humana. O vice-presidente administrativo do TRT-2, desembargador Antero Arantes Martins, ressaltou o papel de iniciativas como essa na construção de uma sociedade mais igualitária, enfatizando que todos os indivíduos devem ser tratados com igual valor.
Ainda na abertura, a juíza Itatiara Meurili Silva Lourenço apontou que, embora persistam cenários de hostilidade, o enfrentamento à violência de gênero passa por informação, educação e políticas efetivas. Na mesma linha, a juíza Karoline Souza Alves Dias destacou que, apesar dos avanços na escolaridade feminina, ainda subsistem barreiras estruturais, desigualdades salariais e situações extremas de violência.
O final do evento foi marcado pela apresentação da Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop, um coletivo criado em 2010 que promove a participação feminina na cena cultural urbana por meio de atividades temáticas voltadas à cultura, política e cidadania.
A iniciativa foi promovida pela Ejud-2, em parceria com o Comitê de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade, o Subcomitê dos Direitos das Mulheres, a Comissão de Acessibilidade e Inclusão e programas institucionais voltados ao combate à violência doméstica e ao trabalho escravo.
