Curso estimula agentes de segurança do TRT-2 a refletir sobre atitudes antirracistas

 

Com o intuito de aprimorar a atuação dos agentes de segurança junto ao público frequentador das suas unidades, o TRT da 2ª Região promoveu nessa quinta-feira (25/8) o curso inédito “Antirracismo para seguranças do TRT-2”. O evento ocorreu das 9h às 18h no auditório do Fórum Ruy Barbosa, na Barra Funda, e reuniu cerca de cem profissionais da Polícia Judicial e vigilantes terceirizados do órgão (veja aqui o álbum de fotos do encontro).

A capacitação foi desenvolvida por iniciativa da Comissão de Diversidade e Igualdade do Tribunal, com a participação da Secretaria de Segurança Institucional e o apoio da Escola Judicial (Ejud-2). Está alinhada com a Política de Diversidade e Igualdade da instituição (Ato GP nº 20/2020).

A desembargadora Rilma Aparecida Hemetério, presidente da Comissão de Diversidade e Igualdade, destaca que proporcionar segurança é garantir o exercício pleno da cidadania, devendo-se formar profissionais capacitados “na promoção e implantação de medidas para garantir dignidade, igualdade e respeito ao ser humano”. Em sua fala de apresentação, ela reforçou que “nunca podemos deixar que as pessoas se sintam seres de segunda categoria”.

Já para o diretor da Secretaria de Segurança Institucional, Hélcio Nalon Alves, o combate ao racismo e a toda forma de discriminação é dever de qualquer cidadão, não somente daqueles que sofrem com tais práticas. “Quando se trata do poder público, em especial a Justiça do Trabalho, é necessário que sejamos referência nessa luta”.

Experiência policial

Dois palestrantes foram convidados para auxiliar nessa missão: Elizeu Soares Lopes, ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo; e Evanilson Correa de Souza, tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo.

Elizeu fez um resgate histórico da condição dos negros no Brasil, falou da “legitimidade” da discriminação patrocinada pelo Estado brasileiro e do racismo estrutural. Afirmou: “A polícia não é racista. O Brasil é racista”. Para ele, precisamos trabalhar o arcabouço jurídico para coibir essa prática condenável ainda presente na sociedade brasileira.

Seguindo esse raciocínio, Evanilson lembrou que vivemos 350 anos de escravidão no país e que isso influenciou cerca de dez gerações de pessoas. Em sua opinião, o racismo presente nas forças de segurança são extensão do comportamento social, que, paradoxalmente, ocorre mesmo com a existência de diversos integrantes negros nas polícias militares. “O racismo estrutural atinge todos nós”, afirmou.

O evento também abordou formas de tratamento e intervenções de segurança sob a ótica do cidadão negro e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre questões étnico-raciais.

Compuseram a mesa de abertura a juíza do trabalho Erotilde Minharro, representando o presidente do TRT-2, desembargador Luiz Antonio M. Vidigal; a juíza aposentada e integrante da Comissão de Diversidade e Igualdade Mylene Pereira Ramos; o presidente da Amatra-2, juiz Bruno José Perusso; e o servidor e membro da Comissão de Diversidade e Igualdade do TRT-2 Emerson Alves de Oliveira.

 

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